Se eu engatar a Charlize Theron num bar, a levar para um Hotel e depois de uns "amassos" valentes ela me disser "apetece-me dormir de conchinha, sem trungalhunguice porca e cheia de suor. Pode ser?"... epá... não é mau... mas podia ser melhor, né?
Se eu for a um restaurante comer um grande cozido à portuguesa, pedir um belo de um Papa Figos e o garçon me disser "Peço desculpa, não temos vinho nem outra bebida que não seja suminho de maçã"... epá... não é mau... mas podia ser melhor, né?
É basicamente este o meu sentimento sobre a prova de ontem. Há coisas que me fazem ficar de sorriso nos lábios, mas a sensação de que podia ser muito melhor não me liberta para um contentamento geral.
Qualy:Arranjei uma boa vaga no pelotão e à segunda volta lançada faço 1:39.9, o mesmo que tinha feito nos treinos! Ena!! Do catano, pá!!! Mas ainda posso melhorar! E depois de duas tentativas frustradas, meti os olhos na estrada e tirei mais 3 décimas: 1:39.6! UAAAAAAAAAU!!! Loucura! 5º lugar!!!! Mas ainda há tempo para melhorar!
E com 15 minutos de qualy para o fim, e os tempos atrás de mim muito chegados uns aos outros, tinha mesmo de tentar melhorar. E em mais 3 ou 4 tentativas, em todas estava a tirar tempo, mas em todas cometi um erro que me fez perder tempo. Chegamos aos últimos 2 minutos e estou a acelerar que nem um maluco! Tenho o 8º tempo e estou a 2 décimos do 7º. A coisa estava a prometer, pois estou a tirar 0.150 na zona de DRS, mas houve alguém a sair da boxe antes que abordou depois a zona de Brooklands muito lentamente e... ARGH, tive de levantar o pé, e preparar o carro para uma última volta de "Tudo ou Nada". Já com o crono de qualificação perto do fim, chego à zona de DRS a perder cerca de 0.1... passo Brooklands e estou a perder 0.2, tento entrar na antiga recta da meta mais a abrir para compensar, pião, carro no muro...
No fundo, o 8º lugar na corrida de estreia na R4 não foi nada, nada, mesmo nada mau!!! Diga-se, até foi acima do que eu estaria à espera numa fase inicial... mas... epá... no fim, podia ter sido melhor, né?
Race:O cenário era estranho, pois nos últimos tempos eu ser o piloto da equipa mais bem classificado não é normal. Mas eu alí estava, estoicamente, pronto para fazer uma grande estreia!!! Quando soou o alarme para a volta de formação, eu estava determinado a levar a Charlize Theron para o Hotel e virar o rebimbombalho toda a noite, toda a noite!!! O problema é que a Charlize não é uma moça fácil para os George Clooneys desta vida, e pior ainda para um António Feio como eu! Apesar da minha confiança de que lhe daria a volta, eu sabia que ela viria com armadilhas do género de perguntar "em que estás a pensar neste momento?" e cuja resposta tem 90% de hipóteses de acabar com o engate logo alí! Esta é a melhor analogia a esta corrida que posso fazer...
E as armadilhas deram-se logo no arranque. A p*** da recta da meta é a subir, ou seja, o carro descai quando estamos parados no nosso lugar. Quando acende a 5ª luz vermelha, larguei o pedal de travão para depois meter 1ª e arrancar como um foguete... mas os timings baralharam-se todos e eu acabei por engrenar a 1ª velocidade por engano ainda antes das luzes apagarem. O carro soluçou, o Carlos Carvalho pensou que já era hora e PFIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU, arrancou que nem um maluco, e eu por acaso safei-me da penalização... mas quando as luzes apagaram fiquei no mesmo sítio, parado, de cadeirinha a assistir ao povo todo a passar por mim!
Era 18º quando cheguei à T1. É como se a Charlize se estivesse a rir forçadamente por solidariedade de uma piada seca que eu contei, mas já a olhar para o relógio a ver ser era horas de chamar um táxi. Mas eu recuperei a compostura e ao fim da 2ª volta era 14º, na cauda de um pelotão que começava no 5º. Com 9 carros juntinhos, o engate ainda não tinha acabado, À 5ª volta, a Charlize já não olha para o relógio, pois apercebeu-se que eu afinal até era um gajo interessante. À 6ª volta, em Brooklands, é quando o garçon despeja a mousse de manga inteirinha no meu smoking. O meu companheiro de equipa (de outra dupla) Mário Serafim ataca o Plácido Coimbra enquanto eu estou na espectativa, alarga a trejectória e entra na zona suja de Brooklands. Eu mantenho-me à distância, pois estava longe de fazer qualquer tipo de manobra por posição. Ele acabou por perder a traseira do carro e apesar dos meus esforços para me desviar após perceber as suas dificuldades, o seu carro acabou por abalroar o meu em cheio na suspensão dianteira direita. Ele seguiu com danos, eu fiquei na relva com ainda mais danos...
A Charlize tem pena de mim, mas já está com cara de quem quer ir fazer ó-ó pois a noite já deu o que tinha a dar. Eu componho-me, tiro o guardanapo, limpo a porcaria toda do smoking e digo-lhe: "eu prometi-te a Lua, vou-te levar à Lua!!" Penteei-me com os dedos, levantei o queixo e levei-a ao Planetário... Foi mais ou menos isto em pista: jogada desesperada! Arrastar a carcaça do carro até à boxe (não sem antes fazer um pião em Beckets por causa dos danos na suspensão) e entrar na boxe em último lugar. Troca de pneus, reparação dos danos (não a 100%, 45 minutos pela frente com uma suspensão a azul

) e sair da boxe a 50 segs do 21º classificado, com uma coisa apenas em mente: fazer aquele jogo de pneus durar o resto da corrida!
Com as paragens nas boxes e com as intempéries que assolavam um ou outro dos restantes pilotos, fui subindo na classificação. Cheguei ao 9º lugar a cerca de 15 minutos do fim, com a segunda paragem do Moisés Carvalho, e por lá fiquei até ao fim. Terminei com 10% de borracha num dos pneus e todos eles no vermelho. Nas últimas voltas andava na ordem dos 1:44, 1:45, mas a estratégia acabou por reduzir danos fortemente. Foi como se a Charlize me tivesse beijado com língua à saída do Planetário, por ter cumprido o seu desejo de passear na Lua e ver estrelas nessa noite. Foi bom, consegui um beijo de uma gaja de classe top porque trabalhei bem apesar de todos os constrangimentos... mas não tive direito a badalhoquice de abanar a mobília... e isso tinha sido melhor, né?